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Seguro pode garantir a sustentabilidade da empresa

25/06/2007
Denise Bueno

São Paulo, 25 de Junho de 2007 - Unibanco AIG, seguradora da cratera do metrô, já pagou R$ 40 milhões às vítimas. Dois acidentes em janeiro deste ano - a cratera do metrô de São Paulo sob responsabilidade do Consórcio Via Amarela (CVA) e o vazamento de lama da Mineração Rio Pomba Cataguases que atingiu municípios de Minas Gerais e do Rio de Janeiro -, têm aspectos comuns. Causaram vítimas, transtornos e prejuízos.

Porém, a seguradora do primeiro acidente indenizou, em 90 dias, até o dono de um cachorro pastor alemão. Foram R$ 7 mil para pagar os três meses em que o animal ficou no hotel do pet shop, o funeral (o cachorro acabou morrendo) e danos morais ao proprietário. Boa parte das vítimas do segundo acidente (ver matéria abaixo), que não tinha seguro, ainda aguarda uma definição da Justiça.

A diferença entre as empresas é a visão de sustentabilidade, que pode vir de forma natural ou exigida pelos agentes financiadores do projeto. "Usamos em nossas palestras esses dois acidentes como exemplo. Para evitar risco de crédito e de imagem é importante saber se a empresa a ser financiada investe em sustentabilidade", disse Victorio Mattarozzi, sócio da consultoria Finanças Sustentáveis. "Não basta ter uma apólice de seguro. "Ela tem de ser bem feita, ter coberturas adequadas ao risco, valores razoáveis e o comprometimento da seguradora com o seu cliente", disse Antonio Penteado Mendonça, advogado da Unibanco AIG, seguradora do CVA.

Em 12 dias a seguradora fechou o primeiro acordo com a família de uma das sete vítimas fatais. "Os prejuízos causados pelos atentados terroristas de 11 de setembro não foram pagos com essa rapidez. Esse tipo de processo leva mais de ano", disse Mendonça. "E o acordo saiu dentro da legislação e aval da secretaria da Justiça", acrescentou. Em 90 dias, o total de indenizações pagas pelo CVA e por sua seguradora se aproximou de R$ 40 milhões.

"Houve um grande comprometimento da seguradora. Ela nos ajudou muito em uma situação que sequer temos adjetivos", contou Eduardo Castro, da OCS Corretora de Seguros, do grupo Odebrecht, líder do contrato de seguro que envolve as cinco construtoras da obra. "Além de todo o sofrimento e dor que um acidente deste traz para todos os envolvidos, aconteceu em um mês fraco de notícias em razão das férias e ao lado da principal editora de revistas do Brasil", comentou Castro, referindo-se à Editora Abril.

O acidente aconteceu por volta das 15 horas do dia 12 de janeiro. Até as 22 horas boa parte das 130 pessoas que tiveram de abandonar suas casas estava acomodada em hotéis. Dois trabalhadores do serviço de limpeza pública, que moravam em uma casa abandonada, também foram parar no hotel. A Unibanco AIG, conta um de seus executivos, montou um quartel general no Edifício Passarelli, localizado ao lado da cratera, para prestar atendimento imediato às pessoas. O primeiro passo foi disponibilizar serviços de empresa de assistentes sociais e de psicólogos.

O passo seguinte foi fazer um levantamento do tipo "primeiros socorros". Foi preciso também providenciar roupa e remédios para todos aqueles que não puderam sequer buscar pertences em suas casas. A saída foi abrir uma "caderneta" nas farmácias e em lojas do Shopping Eldorado para que as pessoas suprir suas necessidades imediatas. "Não foi fácil atender a todos pois não dependia só de nós e sim das autoridades. Tivemos de consolar uma senhora idosa que sofria muito porque queria ir buscar três colchas de crochê", contou Castro. A esposa de uma das vítimas, no final da gravidez, também nos penalizava. Tínhamos um funcionário só para atendê-la".

O relacionamento com as autoridades envolvidas em coletivas de imprensa durante todo o dia também foi importante para preservar a imagem das empresas envolvidas. "O consórcio marcou uma reunião com os políticos da linha de frente e assegurou que daria atendimento às vítimas e que tinha uma apólice de seguro abrangente com uma empresa idônea", comentou um dos executivos da seguradora destacados para o caso.

A obra foi retomada em abril. Ainda há 20 famílias com imóveis atingidos, ou não, para fecharem acordos. Há também as indenizações de danos morais, que são mais discutíveis do que os danos materiais, que podem ser mensurados. "Há uma grande chance de que uma parte desses processos será resolvido na Justiça por não chegarem a um acordo. Mas isso faz parte de história de obras do porte como esta de infra-estrutura", disse o advogado Penteado Mendonça.

Gazeta Mercantil

Publicado na página B1 do caderno Finanças & Mercados.

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