Finanças Sustentáveis

fs na mídia

Brasil é destaque na lista de investidores responsáveis

19/05/2008
Denise Juliani

Lançado há dois anos em uma cerimônia na Bolsa de Nova York, com a adesão de 20 instituições financeiras, os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) contam hoje com 355 signatários, responsáveis pela gestão de US$ 14 trilhões em recursos, e se prepara para ter uma versão em português, a primeira local entre os países emergentes. "O Brasil é um dos países emergentes com participação mais expressiva em relação a questões de sustentabilidade, diz James Gifford, diretor-executivo do PRI lotado em Nova York e que veio ao Brasil na semana passada para divulgar a iniciativa entre os investidores.

Segundo ele, 22 instituições brasileiras já aderiram à iniciativa. A maioria é formada por fundos de pensão como Centrus, Funcef, Sistel, Petros e Valia, além da pioneira Previ, que organizou um encontro na quarta-feira da semana passada no Rio de Janeiro com a participação de Gifford e representantes de 14 fundos de pensão. "Deste encontro saiu o compromisso assumido pelos fundos de pensão de convidar as instituições financeiras que administram seus recursos para participar do PRI", conta José Reinaldo Magalhães, diretor de investimentos da Previ. Também entram na conta dos participantes do PRI no Brasil as unidades locais dos bancos HSBC e ABN Amro, e os fundos de private equity Latour e BDF (Bioenergy Development Fund).

"Os Princípios para o Investimento Responsável são uma iniciativa voluntária que visa a estimular investidores de todo o mundo a incorporar as variáveis social, ambiental e de governança corporativa em suas análises de investimento", explica Victorio Mattarozzi, sócio da consultoria Finanças Sustentáveis e um dos debatedores de evento organizado pelo HSBC Brasil com investidores institucionais e clientes do private banking (alta renda), na quinta-feira, em São Paulo.

"Uma das maiores contribuições que os investidores podem dar para o desenvolvimento sustentável é usar sua influência para estimular a adoção de critérios socioambientais e de governança pelas empresas", diz Gifford. "Não se pede que se sacrifiquem os retornos dos investimentos, mas que estes retornos sejam sustentáveis. É esta a grande diferença", explica.

Entre os planos da organização para este ano e o próximo estão a criação de uma rede acadêmica para ampliar a pesquisa sobre os benefícios dos investimentos responsáveis na geração de valor e na redução dos riscos. "Em setembro acontecerá o primeiro encontro, na Holanda", conta Gifford. Também estão previstos programas de treinamento e a formação de grupos de trabalho globais e grupos em língua local. "O Brasil será o primeiro", conta. Segundo o diretor, a África do Sul e a Coréia também são dois países emergentes bastante ativos. "Há uma sobreposição muito grande entre as metas dos investidores de longo prazo e as metas da sociedade que busca o crescimento sustentável", afirma.

Para Christopher Wells, superintendente da área de risco socioambiental do banco ABN Amro Real, este tipo de evento é mais uma evidência de que o Brasil está bastante maduro no aspecto de responsabilidade socioambiental, principalmente entre os investidores de longo prazo. Segundo ele, o movimento em favor dos investimentos socialmente responsáveis vem se desenvolvendo bastante nos últimos anos no mundo todo e a criação do PRI foi um marco na medida em que busca padronizar a linguagem dos investidores. "O PRI é, na área de investimentos, um movimento similar aos Princípios do Equador", afirma. Os Princípios do Equador são uma iniciativa de adesão voluntária que criou critérios de avaliação socioambiental para o financiamento de projetos acima de US$ 10 milhões e do qual os bancos brasileiros participam ativamente.

"Estamos definindo os critérios internos de nosso fundo de participações e o PRI é um de nossos parâmetros", conta Marco Antonio Fujihara, sócio da Sustaincapital, empresa selecionada em fevereiro para gerir o Fundo Brasil Sustentabilidade (FBS), programa criado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para investir em projetos de desenvolvimento limpo. As outras referências utilizadas pela Sustaincapital são o ISE (Índice de Sustentabilidade Bovespa), o DJSI (Dow Jones Sustainability Index) e o Global Compact. Como é subsidiária da Latour Capital, a Sustaincapital é também participante do PRI.

Jornal Gazeta Mercantil

Publicado na página 2 do Caderno Finanças & Mercados

voltar

finanças sustentáveis . todos os direitos reservados