Finanças Sustentáveis

fs na mídia

Outro sistema financeiro é possível!

01/01/2009

Seminário organizado pelo Sinal vai discutir, em Belém, como os bancos podem colaborar com a preservação do planeta e de seus recursos

O Sinal arma sua tenda no Fórum Social Mundial 2009, que se realiza de 27 a 1º de fevereiro, em Belém, Pará, para convocar todos a debater a importante conexão entre finanças e meio ambiente. Coerente com a sua história de defesa dos interesses dos funcionários do Banco Central e da sociedade brasileira, o Sindicato quer provocar uma discussão fundamental sobre a necessidade de se buscar o desenvolvimento sustentável, com o objetivo de compartilhar com a humanidade os bens produzidos pela sociedade. "Nós estaremos no Fórum Social Mundial, para mostrar que é possível um Sistema Financeiro Nacional sustentável, sintonizado com as exigências de manutenção do planeta e de construção de um mundo em que possamos ter acesso aos bens e compartilhar tudo que é produzido pela natureza e pela humanidade" defende David Falcão, presidente do Sinal-Nacional.

Já o diretor de Estudos Técnicos, Alexandre Wehby, adianta que o seminário organizado pelo Sinal, cujo tema será "Sustentabilidade, o Banco Central e o Sistema Financeiro", vai reunir especialistas em Eco-Finanças do porte de Elvira Cruvinel, Maria de Fátima Tosini, Victorio Mattarozzi, Roland Widmer, Sergio Albuquerque de Abreu e Lima e João Roberto Lopes Pinto. Eles vão debater a necessidade de um sistema financeiro adequado às necessidades de preservação do meio ambiente e o papel relevante do BC na criação de normas e na supervisão desse sistema. "Cada participante abordará o assunto sob um aspecto diferente. Nós, do Sinal, daremos a visão geral e instigaremos os outros a imaginar qual deve ser o papel do BC na construção de um mundo sustentável", explica.

Acesso comum aos bens da terra

Inserido no eixo temático "Pelo acesso universal e sustentável dos bens comuns da humanidade e da natureza, pela preservação de nosso planeta e seus recursos, especialmente da água, das florestas e das fontes renováveis de energia", o painel vai procurar abranger todos os assuntos que estão na ordem do dia dos debates no mundo inteiro. Roland Widmer, da Eco-Finanças, falará sobre a crise e a necessidade de reforma do sistema financeiro, levando-se em conta a sustentabilidade; João Roberto, do Ibase, tratará da transparência e do controle social do BNDES; Victorio Mattarozzi vai discutir como os bancos estão incorporando práticas de sustentabilidade em suas estratégias de negócios; enquanto Elvira Cruvinel e Maria de Fátima Tosini, ambas do Banco Central, abrirão o seminário com uma abordagem geral da sustentabilidade, tratarão do papel do sistema financeiro no desenvolvimento e do possível papel do BC enquanto normatizador e regulador do SFN. Por fim, Sergio Albuquerque de Abreu e Lima, secretário da Diretoria e do Conselho Monetário Nacional, levará a visão do BC.

É no contexto do fim da era Bush, de mudanças climáticas, de crise econômica, de guerras no Oriente Médio e do emblemático desafio da resistência humana na proteção da Amazônia que centenas de entidades, organizações sociais, ativistas e militantes dos mais diversos países se encontrarão nesse Fórum. O lema geral compartilhado por todos continua sendo a certeza de que um mundo melhor ainda é possível.

Além dos objetivos semelhantes aos dos Fóruns anteriores, como a luta por um mundo de paz, igualitário e pela construção de um mundo político e econômico mais democrático, essa edição do FSM buscará defender e proteger a natureza, e não somente a Amazônia. Da mesma forma que esteve presente nas edições de 2002 e 2003, o Sinal participará do encontro de 2009 para compartilhar a experiência única de busca de preservação de todos os ecossistemas, assim como dos povos que vivem dos bens naturais da terra.

Outro modelo de civilização

Para Cândido Grzybowski, diretor do Ibase, que integra o comitê organizador do FSM 2009, o modelo de civilização e desenvolvimento, tendo o comércio e o lucro como principais objetivos, está gerando as guerras e as crises. "Deveríamos usar a capacidade e os recursos que temos para sobreviver, sem precisar matar ou destruir o meio ambiente."

Cândido explica que não há, no Fórum, uma temática predominante, pois as atividades são propostas por pessoas de todo o mundo. Entretanto, devido ao contexto atual e por essa edição acontecer na Amazônia, muitas discussões serão destinadas à temática do meio ambiente, assim como as lutas pela preservação dos territórios indígenas. Para ele, o local escolhido e a conjuntura internacional de crise nunca foram tão propícios para a realização de um Fórum Social Mundial. "É a oportunidade de mostrar o que queremos", afirma.

Revista Por Sinal - Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central

Publicado na página 16 da edição de janeiro de 2009.

voltar

finanças sustentáveis . todos os direitos reservados