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Bancos médios começam a adotar critérios de sustentabilidade

05/03/2009
Alexandre Spatuzza

Os bancos médios brasileiros já estão começando a desenvolver critérios socioambientais para suas estratégias de negócios e produtos, avaliou o consultor Cássio Trunkl, da consultoria Finanças Sustentáveis, em entrevista à Revista Sustentabilidade.

"Vemos uma crescente demanda pelos nossos serviços," disse.

A empresa de Trunkl existe há cerca de dois anos e, durante este tempo, vem atendendo os grande bancos na implementação de critérios socioambientais, treinamento e desenvolvimento de estratégia que levem em conta os riscos ao meio ambiente e sociais.

"No final é um risco de crédito," explicou. "Para ter uma perenidade no negócio é preciso prestar atenção no triple bottom line [resultado triplo], que leva em conta não apenas o resultado financeiro, mas também o desempenho social e ambiental das atividades."

Para Trunkl, a crise financeira é resultado de falta de visão.

"Só se olhou o resultado financeiro no curto prazo", disse.

COMEÇO

Apesar de nos últimos anos grandes bancos como Bradesco, Real, Unibanco e Itaú terem incluído critérios socioambientais em suas estratégias, o setor ainda engatinha no Brasil.

Enquanto na Europa se oferece carteiras inteiras que lidam com o desempenho socioambiental, explicou o consultor, no Brasil os bancos oferecem poucos produtos.

"Na Europa, se você comprova que vai fazer um a reforma com critérios sustentáveis, você enquadra o financiamento com melhores condições," disse.

De fato, os bancos brasileiros tem oferecido alguns fundos diferenciados, mas não existem linhas de créditos claras para projetos que tenham critérios socioambientais melhores. Para o consultor, é uma questão de tempo, pois a lógica indica que os riscos de projetos são melhores.

"Não é uma questão apenas de atender à legislação, ou ter certificação ISO 14001, porque isto não garante que o projeto não vai ter impacto socioambiental", disse.

A lógica do negócio é que quem empresta para um projeto que tentou prever e gerenciar os impactos, tem menor chance de ser multado, embargado pela justiça ou sofrer uma ação pelo ministério público. No final, explicou Trunkl, isto põe em risco, por exemplo, o fluxo de caixa do projeto como uma hidrelétrica.

A assimilação desta lógica, no entanto, não acontece de um dia para o outro, pois a principal barreira é cultural, já que os retornos não podem ser aritmeticamente medidos.

"É dificil mensurar o retorno financeiro de critérios socioambientais," lembrou. "muita gente pergunta sobre o retorno, mas se pergunta é porque ainda não está convencida".

Trunkl argumenta que existem exemplos de que a adoção de critérios socioambientais ajudam no desempenho financeiro das instituições.

"O Banco Real, que focou na questão da sustentabilidade, tem tido um crescimento acima da média no setor financeiro no Brasil", disse. "Também, se você olhar o desempenho das cerca de 340 empresas que compõem o índice de sustentabilidade Dow Jones, elas têm registrado um retorno maior que a média desde que os critérios foram adotados em 1999".

No dia-a-dia do consultor, as resistências sempre aparecem, mas em corporações onde os superiores estão convencidos da necessidade de adotar critérios socioambientas e deixam claro para seus funcionários, o trabalho flui melhor.

Revista Sustentabilidade (edição eletrônica)

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