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Sustentabilidade: um bom negócio para o seu negócio

Respeito ao meio ambiente, à sociedade e aos fatores econômicos são ingredientes cada vez mais importantes na manutenção e no fortalecimento da empresa, seja ela grande ou pequena. E um seguro contra os efeitos da crise.

04/05/2009
Carolina Dall’olio

A crise econômica representa um teste de fogo para os negócios - principalmente para os de pequeno porte. Quando o mercado se retrai, a redução de custos se torna imperativa, o trabalho para obter um empréstimo fica ainda mais árduo e a conquista de novos clientes soa como tarefa impossível. Nesse momento, surge de forma muito clara o desafio de encontrar uma estratégia para garantir a perenidade da empresa.

A resposta, dizem os especialistas, pode estar na adoção de práticas sustentáveis. Isso mesmo. “Ao repensar seu modelo de negócio levando em conta o respeito ao meio ambiente, à sociedade e aos fatores econômicos, o empresário sem dúvida vai aprimorar a gestão do seu negócio, fortalecendo a empresa”, indica Victorio Matttarozzi, sócio-diretor da consultoria Finanças Sustentáveis. Segundo ele, os principais benefícios de fazer da sustentabilidade a estratégia do negócio são a redução de custos, o acesso a empréstimos mais baratos, o ganho de mercado e a geração de valor para a marca - tudo que toda empresa busca, especialmente em momentos de crise.

A mudança pode começar com pequenas atitudes. Diminuir o consumo de água e energia elétrica, reduzir a geração de resíduos e reciclar o que foi parar na lixeira são medidas que, logo de cara, geram economia. “Mas o empresário só vai descobrir o que pode ser mudado se revisar, de fato, todos os processos da empresa”, orienta Marlene Ortega, sócia-diretora da Universo Qualidade. “Ao colocar um olhar permanente sobre todas atividades, ele vai identificar naturalmente onde estão as oportunidades de melhoria e vai tornar seu negócio mais eficiente.”

Porém, é necessário pensar de forma abrangente. “A sustentabilidade não se restringe a ações pontuais. Ela é uma mudança completa de atitude”, enfatiza Linda Murasawa, superintendente de Desenvolvimento Sustentável do Grupo Santander Brasil. Segundo ela, é preciso identificar o coração da empresa - é a partir dali que as transformações devem começar.

Linda cita a empresa de motoboys Help Express, fornecedora do banco, como exemplo. No caso deles, se tornar sustentável significou principalmente conscientizar os funcionários sobre a importância de dirigir com segurança. Com um programa educativo, a Help Express conseguiu preservar a saúde dos trabalhadores e diminuir os gastos que tinha com os empregados que se machucavam no trânsito. “Cada empresa vai ter que encontrar a sua receita. Mas o caminho a seguir, no fundo, é simples: basta trabalhar para fazer as coisas do jeito certo”, recomenda Linda.

O resultado compensa. Além dos benefícios diretos que as mudanças trazem, há também ganhos periféricos - que, em tempos de crise, podem ser ainda mais valiosos. Como a redução dos juros de um empréstimo. Hoje, na maior parte dos bancos, a análise de crédito das empresas passa por um questionário socioambiental. Quem apresenta práticas sustentáveis, tem acesso a juros menores.

No Bradesco, por exemplo, o peso desse questionário para avaliação de risco de um empréstimo passou de 5% para 15%. “O questionário é um dos filtros que utilizamos para reduzir o risco do empréstimo', informa Jean Philippe Leroy, diretor do departamento de responsabilidade socioambiental do Bradesco. “Se a empresa tem boas práticas, a chance de ela perdurar a longo prazo é maior e, por consequência, o nosso risco é menor.”

Se para os clientes a sustentabilidade é um filtro, para os fornecedores do banco ela se torna uma exigência. A empresa só compra de quem passar no teste de boas práticas. “As grandes empresas não querem associar seu nome a fornecedores que tenham uma conduta duvidosa”, avisa Rolando Gaal Vadas, gerente sênior da área de sustentabilidade da consultoria Deloitte. “Por esse motivo, elas estabelecem uma série de regras que seus fornecedores devem cumprir para continuar com a parceria.”

Uma pesquisa da Deloitte realizada com 115 empresas mostra que boa parte dos clientes já cobra delas a adoção de práticas sustentáveis. Para Vadas, os consumidores estão cada vez mais conscientes da importância de respeitar o meio ambiente e priorizam, na hora da compra, as empresas que têm uma conduta correta.

“Hoje, ter responsabilidade socioambiental é um diferencial de mercado”, observa Vadas. “Porém, num futuro próximo, será uma obrigação. E quem não se adequar não vai sobreviver no mercado.”

Jornal da Tarde

Publicado na página 1B do Caderno Seu Bolso.

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