Finanças Sustentáveis

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Conversa com Fabio Barbosa

Os bancos e a sustentabilidade

14/01/2009
Rodrigo Vieira da Cunha

No final do ano passado, foi lançado o livro “Sustentabilidade no Setor Financeiro – Gerando Valor e Novos Negócios” (Editora Senac São Paulo). O livro conta as iniciativas dos bancos para transformar o jeito que fazem negócios, colocando as preocupações com os impactos sociais e ambientais lado a lado com o lucro. Qualquer empresa que está com a preocupação de seguir na mesma direção sabe que não é tarefa fácil. Por isso mesmo a relevância do trabalho dos bancos nesse sentido.

Em um bate-papo do presidente do Grupo Santander Brasil, Fabio Barbosa, com os autores do livro, Victorio Mattarozzi e Cássio Trunkl, eles falavam da importância da sociedade em conhecer o que o sistema financeiro vem fazendo nessa área. Na conversa, Fabio Barbosa lembrou sobre o papel fundamental dos bancos nesse movimento, pois eles têm o privilégio de interagir com todos os setores da economia. Essa posição traz a oportunidade de influenciar estes diversos setores, acelerando o movimento de transformação dos negócios. Isso é bom para todos, principalmente para as empresas clientes dos bancos, que são apresentadas a novas oportunidades de como melhorar seus negócios.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o conteúdo do livro, reproduzo abaixo alguns trechos da apresentação, escrita por Fabio Barbosa:

Competência na gestão da sustentabilidade

Qual é o papel que cabe aos bancos e ao setor financeiro em geral no desenvolvimento sustentável? Responder a essa pergunta não é tarefa fácil. Como se relaciona com todos os setores da sociedade, a influência dos bancos é enorme. E aí reside, ao lado de uma responsabilidade igualmente enorme, uma grande oportunidade.

Hoje, os maiores bancos do país têm fundos de investimento socioambientalmente responsáveis, criando cada vez mais opções para quem quer investir em empresas que sejam referência em práticas socioambientais. O mesmo vale para a concessão de crédito: as principais instituições financeiras já promovem uma análise de risco socioambiental antes de aprovar um financiamento. O microcrédito, fundamental para o desenvolvimento de comunidades de baixa renda, também é realidade em alguns bancos brasileiros. Quatro deles são signatários dos Princípios do Equador, que estabelecem boas práticas socioambientais para o financiamento de projetos acima de 10 milhões de dólares.

Ou seja, nosso sistema financeiro, reconhecido mundialmente por sua excelência, parece estar transferindo essa eficiência para a gestão da sustentabilidade, o que é uma ótima notícia. Os bancos, que por conta de décadas de turbulência econômica aprenderam a trabalhar muito bem em cenários adversos, hoje mostram a mesma competência para incorporar o desenvolvimento sustentável aos seus negócios.

Sempre defendi que é possível dar certo, fazendo as coisas certas, do jeito certo. Uma pessoa ou uma empresa não podem mais fazer negócios pensando apenas na rentabilidade, sem pensar em como construí-la. É necessário pensar no todo. Precisamos considerar o impacto das nossas decisões de hoje no futuro. Temos muitos problemas sociais e ambientais e, ao mesmo tempo, ótimas oportunidades de negócios para atuar. E o melhor de unir as duas pontas é saber que o resultado final é benéfico para toda a sociedade.

Por isso, a importância desse livro, que detalha as ações que já estão sendo adotadas no setor financeiro, mostrando a evolução do setor e boas prática no Brasil e no mundo.

Fabio Colletti Barbosa, presidente do Grupo Santander Brasil


Até a próxima,
Rodrigo

Blog do Espaço Real de Práticas em Sustentabilidade

* Rodrigo Vieira da Cunha é jornalista e trabalha no Grupo Santander Brasil.

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