Finanças Sustentáveis

fs na mídia

Novas oportunidades de negócios para o setor financeiro

31/12/2009
Victorio Mattarozzi e Cássio Trunkl

O avanço da sustentabilidade no setor financeiro envolve várias ações e etapas. Esse processo se inicia pela incorporação do conceito à missão e à estratégia de negócios das organizações e prossegue até o desenvolvimento de novos produtos. Ao mesmo tempo que minimiza os riscos de crédito e de reputação das instituições financeiras, tornando suas operações mais seletivas, a opção pela sustentabilidade abre caminho para a criação de enorme gama de produtos e serviços com foco socioambiental.

Anos atrás, uma indústria que precisasse de recursos para modernizar equipamentos e alcançar uma produção mais limpa teria de enfrentar, na obtenção de um financiamento, condições iguais às de qualquer outro empréstimo. Hoje essa situação está mudando. Algumas instituições que já aderiram à perspectiva sustentável dispõem de produtos específicos para atender a esse tipo de necessidade e a outras ligadas a interesses socioambientais.

As instituições que estão inserindo a sustentabilidade no âmbito estratégico vêm conquistando vantagens competitivas e de reputação, em muitos casos liderando o processo, hoje irreversível, de aliança de interesses empresariais e sociais em torno das restrições impostas pelo meio ambiente. No entanto, o fato de instituições financeiras buscarem um novo mercado que tem como foco a sustentabilidade não reduz seu compromisso socioambiental a uma simples questão de interesses. Trata-se, na verdade, de um ajuste entre expectativas e demandas comerciais e sociais, uma vez que em toda parte aumenta a consciência sobre a necessidade de um modelo sustentável para a vida econômica.

De início, já se observa que instituições que adotam diretrizes socioambientais em seus processos decisórios e monitoram as atividades de seus clientes passam a conhecê-los melhor e podem antecipar-se na oferta de soluções para suas necessidades, gerando assim novos negócios. Os benefícios devem advir para ambos os lados, uma vez que a aplicação de critérios socioambientais por parte da instituição financeira visa a contribuir para o aperfeiçoamento geral das práticas nessa área, e não a criar obstáculos. Se as exigências são novas e maiores, o objetivo é estreitar a parceria com o cliente de modo a ajudá-lo a cumpri-las, não impondo regras inflexíveis, mas provendo soluções adequadas para cada situação.

Não se deve esquecer que questionários adotados por bancos para avaliar as práticas socioambientais de uma empresa constituem também instrumentos de auto-avaliação para as próprias empresas, uma vez que as ajuda a detectar problemas aos quais anteriormente não haviam dado maior atenção. Ao adotar estratégias sustentáveis, portanto, as instituições financeiras cumprem também o papel pró-ativo de conscientizar quanto à questão socioambiental e oferecer alternativas para que melhores práticas sejam alcançadas, em especial entre os clientes cujas atividades possam envolver maiores impactos dessa natureza.

Além disso, o campo socioambiental representa um espaço permanentemente aberto para a criação de novos produtos de interesse amplo, aplicáveis às necessidades das empresas em geral ou de setores em particular – já que muitas instituições financeiras concentram negócios em determinados segmentos de atividades e acumulam experiência e conhecimentos sobre eles. Como as exigências acerca das precauções socioambientais aumentam continuamente, sendo acompanhadas por avanços igualmente constantes dos conceitos e das técnicas para colocá-las em prática, não resta dúvida de que a sustentabilidade abre um caminho praticamente ilimitado para a criação de produtos financeiros consoantes com seus objetivos.

Revista da Apimec

* Sócios-diretores da consultoria Finanças Sustentáveis e co-autores dos livros: “Sustentabilidade no Setor Financeiro: Gerando valor e novos negócios” – Ed. Senac; e “Sustentabilidade dos Negócios no Setor Financeiro: Um caso prático” – Ed. Annablume.

E-mail: contato@financassustentaveis.com.br

Publicado na edição do 4º. trimestre de 2009 da Revista da Apimec – Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais.

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