Finanças Sustentáveis

fs na mídia

A nova ideologia da cor

13/05/2010

Mais de 20 milhões de pessoas deverão trabalhar com empregos verdes até 2030, de acordo com o relatório Empregos Verdes, da ONU. No Brasil, já são cerca de 2,6 milhões empregos verdes, ou 6,7% do total de postos formais de trabalho, distribuídos em produção e manejo florestal, geração e distribuição de energias renováveis, saneamento, gestão de resíduos e riscos ambientais, transportes coletivos alternativos e telecomunicações. A oferta cresce quase 2% ao ano. São dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apresentados na 9a. Conferência Municipal de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas, realizada no dia 11 de maio em São Paulo, onde se discutiu as oportunidades de geração de emprego na transição para uma economia de baixo carbono.

Paulo Muçouçah, representante da OIT no Brasil, mostrou algumas iniciativas que o governo federal pode tomar para ampliar a geração dessa forma de trabalho. Reduzir impostos para compra de linha de eletrodomésticos com eficiência energética, aumentando a mão de obra de fabricação, criar critérios ambientais para compras públicas e fortalecer cadeias produtivas de produtos florestais não-madeireiros.

Os bancos também estão contribuindo para fomentar a economia verde ao criar produtos com foco socioambiental. Victorio Mattarozzi, diretor da Consultoria Finanças Sustentáveis, comentou sobre algumas iniciativas, como a do Santander, que criou fundos de investimento compostos exclusivamente por ações de empresas que possuam políticas relacionadas ao meio ambiente, responsabilidade social e governança corporativa. O Itaú lançou o Fundo Itaú Índice de Carbono, com rendimento baseado na variação do BGCI (Barclays Capital Global Carbon Index), indicador mundial que monitora o desempenho dos créditos de carbono. Entre as mais de 30 linhas de créditos do Bradesco, um é para empresas que querem obter certificação florestal.

Na área da educação, a demanda do mercado está movimentando novos cursos e especializações e profissionais mais qualificados. “Tem gente querendo contratar, tem gente se formando, mas eles nem sempre se encontram. O nível de requisitos para as vagas verdes é muito alto”, disse Alcir Villela Junior, coordenador da graduação do Senac. O perfil desse profissional é técnico e consistente, com conhecimento em legislação, o principal driver do mercado hoje em dia, seguido do domínio de instrumentos de gestão ambiental e saúde do trabalhador, conhecimento em resolução de conflitos, aptidão para trabalhar em equipes multidisciplinares, idiomas, envolvimento em movimentos sociais e projeto de pesquisa acadêmica.

O tempo da ideologia acabou, disse o embaixador Rubens Ricupero em sua palestra Magna. “A nova ordem é marcada por uma cor, e ela é verde. São as atividades por um mundo sustentável que nos darão sentido de existência e realização profissional”.

Blog Empresa Verde – Época Negócios

voltar

finanças sustentáveis . todos os direitos reservados