Finanças Sustentáveis

fs na mídia

Sustentabilidade no Setor Financeiro

O livro de Victorio Mattarozzi e Cássio Trunkl esclarece que o setor financeiro tem muito a colaborar com a sustentabilidade, criando processos seletivos que levam à disponibilização maior de crédito para empresas que tenham políticas e práticas de respeito à natureza – a chamada análise de risco socioambiental que precede a concessão de um financiamento

05/04/2010
José Eduardo Mendonça

Quando se fala em sustentabilidade, a primeira coisa que nos vem à mente é a natureza – ou sua transformação em produtos de consumo ou em energia, por exemplo. Mas e o setor financeiro? Como considerá-lo, se não produz nada tangível? Talões de cheque de papel reciclável? Economia de luz nas agências?

O livro de Mattarozzi e Trunkl esclarece que o setor financeiro tem muito a colaborar com a sustentabilidade, meramente criando processos seletivos que levam à disponibilização maior de crédito para empresas que tenham políticas e práticas de respeito à natureza – a chamada análise de risco socioambiental que precede a concessão de um financiamento. O crédito é um critério, mas isto abrange outras atividades como, por exemplo, os seguros. Critérios mais exigentes significam menos riscos, e menos riscos significam agregar valor.

Para a abordagem usada neste livro, diz no prefácio o professor José Eli da Veiga, da FEA-USP, sustentabilidade “é uma maneira de fazer as coisas e tomar decisões levando-se em conta as pessoas, o lucro e o planeta”. No caso do setor financeiro, acrescenta ele, está sendo necessário um esforço “que sempre exige rupturas com inúmeras heranças dos tempos em que a única regra a ser respeitada era a de levar vantagem aqui e agora”.

Os autores basearam seu trabalho em uma extensa pesquisa de práticas já implantadas por instituições financeiras nacionais e internacionais, principalmente a partir do ano 2000, quando elas começaram a se tornar praxe. E, eles lembram, estas práticas remetem à necessidade das instituições de integrar a perspectiva ambiental à sua própria missão e a suas estratégias, que passam então a adotar critérios socioambientais, além dos econômico-financeiros, nos processos de tomada de decisão no âmbito dos negócios.

Os autores sustentam que, indiretamente, os bancos acabam se transformando para muitas empresas em um indutor de novas práticas. Ao preencher longos questionários de avaliação de práticas socioambientais, elas podem acabar detectando problemas para os quais não haviam dado maior atenção.

Bancos europeus estão na vanguarda do processo, mas a reprodução de alguns de seus modelos vem se dando de forma rápida no resto do mundo. E não apenas no setor privado. O BNDES, por exemplo, tem uma linha de financiamento para projetos de eficiência energética. O Banco do Nordeste do Brasil adotou importante papel de indutor do desenvolvimento com seu programa de microcrédito, facilitando o acesso de milhares de pequenos empreendedores a seus recursos, com aval solidário. Este é, hoje, o maior programa de microcrédito da América Latina. A responsabilidade conjunta também foi uma das bases do sucesso do Grameen Bank, famosa instituição de microcrédito criada em Bangladesh pelo economista Muhammad Yanus, que em 2006 ganhou o Prêmio Nobel da Paz pela iniciativa.

Planeta Sustentável

Acesse o texto original dessa matéria aqui.

voltar

finanças sustentáveis . todos os direitos reservados