Finanças Sustentáveis

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Bancos: criando valor sustentável

01/12/2007
Victorio Mattarozzi e Cássio Trunkl*

Nos últimos anos, principalmente a partir do lançamento dos Princípios do Equador em 2003, tem aumentado o número de iniciativas visando a incorporação da sustentabilidade nos negócios do setor financeiro privado mundial. Especificamente no Brasil, os quatro maiores bancos nacionais (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Unibanco) aderiram a esses Princípios, comprometendo-se a seguir critérios socioambientais no financiamento de operações de project finance com custo total acima de US$ 10 milhões.

Do mesmo modo que no setor financeiro internacional, o processo de incorporação da sustentabilidade no mercado financeiro brasileiro tem se desenvolvido por meio da criação de políticas e produtos específicos com foco socioambiental. O Bradesco, por exemplo, instituiu sua política de responsabilidade socioambiental corporativa definindo as diretrizes socioambientais para o desenvolvimento das suas atividades, negócios e operações. Outro destaque é o Desenvolvimento Regional Sustentável, estratégia de negócio do Banco do Brasil que visa impulsionar o desenvolvimento sustentável por meio do apoio a atividades produtivas com a visão de cadeia de valor. Essas iniciativas não se restringem aos bancos comerciais, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES possui diversas linhas de financiamento voltadas a promover melhores práticas de gestão socioambiental nas empresas que apóia. Dentre elas destaca-se a linha de Apoio a Investimento em Meio Ambiente que oferece condições especiais para projetos de racionalização do uso de recursos naturais e de recuperação de passivos ambientais, dentre outros.

O banco que notoriamente tem a sustentabilidade associada a sua estratégia de negócios, oferecendo uma crescente linha de produtos e serviços com foco socioambiental, é o banco Abn Amro. No Brasil, os ativos totais do banco Abn Amro Real aumentaram de R$ 61,6 bilhões para R$ 120,8 bilhões, respectivamente ao final de 2004 e 2006. Nesse mesmo período o retorno sobre o patrimônio líquido evoluiu de 17% para 23%, e o banco subiu do 4º. lugar para o 3º. no ranking dos maiores bancos privados em ativos totais, demonstrando que é perfeitamente viável conciliar metas socioambientais com metas econômicas na estratégia de negócios do setor financeiro. Provavelmente esses expressivos resultados alcançados pelo banco no Brasil foi um dos fatores que motivou sua recém aquisição pelo banco Santander.

O resultado dessas iniciativas poderia ser avaliado, por exemplo, pela inclusão das ações dos bancos em índices de sustentabilidade. Os quatro maiores bancos nacionais fazem parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, desde o seu lançamento em dezembro de 2005. Desses bancos, o Bradesco e o Itaú integram a carteira do Dow Jones Sustainability Index (DJSI) da bolsa de Nova York, da qual também faz parte, dentre outros bancos internacionais, o Abn Amro.

O exemplo do banco Abn Amro Real não é um caso isolado. Outras instituições financeiras, como aquelas aqui mencionadas, também já perceberam que conciliar ambas as metas não é um fator limitante de crescimento de suas atividades, pelo contrário, amplia mercados, minimiza riscos operacionais e gera valor. Incorporar metas de desempenho socioambiental é, entretanto, um processo contínuo que requer do setor financeiro criatividade e agilidade na busca de soluções que visam a sustentabilidade dos seus negócios.

Revista Primeiro Plano

Publicado na página 17 da edição de dezembro de 2007.
* Sócios-diretores da consultoria Finanças Sustentáveis
contato@financassustentaveis.com.br

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