Finanças Sustentáveis

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Livro traz experiência do holandês Triodos

24/03/2008
Denise Juliani

Qual o perfil do meu cliente daqui a dez, 15 anos?

Vamos continuar financiando empresas cuja economia é baseada em carbono ou vamos dar mais ênfase nos negócios do futuro, como os projetos de energia renovável?

Estas são algumas das perguntas que as instituições financeiras devem se fazer quando projetam seu futuro, pregam os sócios da consultoria Finanças Sustentáveis, Victorio Mattarozzi e Cássio Trunkl. "Os bancos estão começando a perceber que existem riscos socioambientais que eles não estavam avaliando e que podem trazer risco de crédito e de reputação", diz Mattarozzi. "Além disso, ao não olhar para estas questões, estão deixando de enxergar oportunidades de negócio", completa Trunkl.

Para mostrar como um banco pode adotar práticas socioambientais sem abrir mão da rentabilidade, os especialistas lançam nesta segunda-feira um livro com o caso exemplar do banco Triodos, uma instituição holandesa criada em 1980 e que já nasceu com o DNA da sustentabilidade. "Identificamos o Triodos como aquele que mais efetivamente incorpora a sustentabilidade em sua missão", dizem os autores na apresentação do trabalho "Sustentabilidade dos negócios no setor financeiro: um caso prático, editado pela AnnaBlume".

Nem por isso a instituição deixa de ser lucrativa. "embora não seja um banco grande, ele consegue ser sustentável, ou seja, ganhar no aspecto financeiro e no socioambiental", diz Mattarozzi.

Em 2002, por exemplo, as receitas totais eram de US$ 23,7 milhões e passaram a US$ 60,5 milhões em 2006. No mesmo período, o lucro líquido passou de US$ 2,7 milhões para US$ 8,1 milhões e os dividendos por ação pagos foram de US$ 1,58 para US$ 2,37.

O exemplo do Triodos será apresentado aos bancos interessados em melhorar suas práticas socioambientais. "Não significa que o banco terá de fazer tudo o que o Triodos faz, mas é uma referência", afirma Trunkl. "A proposta do livro é servir como um guia, até para que o banco possa ver por onde ele pode começar a aplicar os conceitos de sustentabilidade", completa Mattarozzi.

No Brasil, a percepção da importância das questões socioambientais para os negócios começou com os grandes - Banco do Brasil, Bradesco, Unibanco, Itaú, mas Mattarozzi ressalta que o movimento agora está sendo realizado pelos bancos médios. Entre os clientes recentes da consultoria estão o BicBanco e o Fibra.

Os bancos deste porte estão começando a repassar recursos do IFC (International Finance Corporation) o que eleva o grau de exigência no controle dos riscos socioambientais dos tomadores de crédito. "Ao avaliar o risco socioambiental do cliente, o banco começa a ver oportunidades de negócios em vez de considerar o cumprimento de exigências socioambientais como um entrave", observa Trunkl. Além das exigências do IFC, vale mencionar a criação dos índices de sustentabilidade das bolsas (ISE da Bovespa e Dow Jones Sustainability da Nyse), que a cada ano tornam-se mais exigentes, o que contribui para elevar a atuação socioambiental dos bancos, lembra.

Jornal Gazeta Mercantil

Publicado na página B4 do caderno Finanças e Mercados

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